{"id":1272,"date":"2025-04-26T11:08:50","date_gmt":"2025-04-26T14:08:50","guid":{"rendered":"https:\/\/ibonitatis.com.br\/?p=1272"},"modified":"2025-04-26T11:08:51","modified_gmt":"2025-04-26T14:08:51","slug":"beleza-arte-e-realidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ibonitatis.com.br\/?p=1272","title":{"rendered":"BELEZA, ARTE E REALIDADE"},"content":{"rendered":"\n<p>H\u00e1 algum tempo, durante um espet\u00e1culo, enquanto o professor e pianista \u00c1lvaro Siviero tocava deslumbrantemente, eu, extasiada com aquela grandiosidade e primor expressos em notas musicais, refletia sobre como a ARTE tem o poder de nos elevar, sobre como a BELEZA nos move e como ela \u00e9 a porta de entrada da VERDADE em nossa vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Pensava sobre sua capacidade de tocar a REALIDADE.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 fato que a arte \u00e9 a express\u00e3o do belo e que a literatura nada mais \u00e9 que a arte em palavras. E que toda essa beleza toca a realidade de um modo incontest\u00e1vel. E nesse devaneio, recordei-me de um fato.<\/p>\n\n\n\n<p>Certa vez, comprei uma edi\u00e7\u00e3o antiga da obra de La Fontaine \u2014 uma riqueza, um primor. Assim que chegou, comecei a folhe\u00e1-la com os olhos brilhando.<\/p>\n\n\n\n<p>Pois bem, Vitor Hugo, meu filho mais velho, chegou na cozinha enquanto eu folheava e apreciava a tal edi\u00e7\u00e3o, com direito a p\u00e1ginas amarelas, capa de couro e tudo mais.<\/p>\n\n\n\n<p>Coloquei-a em suas m\u00e3os e pedi que escolhesse uma f\u00e1bula, lesse em voz alta e me explicasse seu significado. Vale lembrar que todas as f\u00e1bulas s\u00e3o em poesia. Ele escolheu O Olho do Dono, traduzida pelo Bar\u00e3o de Paranapiacaba.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois de lida e interpretada rapidamente, ele saiu.<\/p>\n\n\n\n<p>E l\u00e1 eu fiquei imersa em pensamentos.<\/p>\n\n\n\n<p>Personifiquei o tal dono descrito na poesia e trouxe para a minha realidade \u2014 a realidade de m\u00e3e.<\/p>\n\n\n\n<p>O dono era a m\u00e3e. As vacas, os filhos. Os servos, as pessoas pr\u00f3ximas que convivem diariamente conosco.<\/p>\n\n\n\n<p>E o cervo?<\/p>\n\n\n\n<p>Quem seria o cervo?<\/p>\n\n\n\n<p>Quem seria aquele que insiste em permanecer escondido aos meus olhos, mas presente na vida dos meus filhos?<\/p>\n\n\n\n<p>O cervo \u00e9 aquele que, apesar de muito bem oculto, n\u00e3o foge ao olhar atento de uma m\u00e3e. N\u00e3o escapa aos \u201ccem olhos\u201d do dono.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 aquele que s\u00f3 uma m\u00e3e vigilante e perspicaz consegue enxergar.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele \u00e9 o intruso que os servos n\u00e3o enxergam e n\u00e3o veem. Por melhor e mais bem-intencionados que sejam \u2014 av\u00f3s, professores, funcion\u00e1rios, amigos, parentes \u2014 h\u00e1 coisas que n\u00e3o podem enxergar. N\u00e3o porque n\u00e3o se importam, mas porque n\u00e3o possuem o olhar da m\u00e3e. Eles n\u00e3o veem o cervo.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a m\u00e3e v\u00ea. Mesmo que ele esteja muito bem escondido e camuflado.<\/p>\n\n\n\n<p>Porque s\u00f3 a m\u00e3e tem cem olhos.<\/p>\n\n\n\n<p>E cada vez mais imersa nos meus pensamentos, eu indagava &#8211; Mas quem \u00e9, afinal, esse cervo? Ser\u00e1 que ele est\u00e1 no \u201cmeu curral junto com as minhas vacas\u201d e eu desatenta n\u00e3o o vejo?<\/p>\n\n\n\n<p>Pensei em tudo o que esse cervo representava.<\/p>\n\n\n\n<p>O cervo \u00e9 a influ\u00eancia sutil que se infiltra nas pequenas coisas do cotidiano.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 aquele que se esconde, que se camufla, que passa despercebido aos olhos distra\u00eddos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 o olhar de um estranho que diz mais do que deveria.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 a tela brilhando, cheia de vozes e imagens atraentes que n\u00e3o pertencem ao lar.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 a ideologia que se disfar\u00e7a de conhecimento.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 a verdade distorcida. A moral relativizada. A presen\u00e7a invis\u00edvel que sussurra ao ouvido da crian\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>O cervo n\u00e3o anuncia sua presen\u00e7a. N\u00e3o faz alarde.<\/p>\n\n\n\n<p>Esconde-se nas brechas, nos descuidos, na distra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O cervo n\u00e3o precisa ser algu\u00e9m. Ele pode ser algo. Uma ideia. Um pensamento. Um h\u00e1bito nocivo.<\/p>\n\n\n\n<p>E, por isso, cabe a mim &#8211; \u00e0 m\u00e3e ter cem olhos.<\/p>\n\n\n\n<p>Pois s\u00f3 a m\u00e3e v\u00ea o que ningu\u00e9m mais v\u00ea.<\/p>\n\n\n\n<p>E s\u00f3 quando ela v\u00ea, \u00e9 capaz de proteger.<\/p>\n\n\n\n<p><br><em>&#8220;Olhares como o do dono <\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Outros n\u00e3o h\u00e1 vigilantes&#8221;.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 algum tempo, durante um espet\u00e1culo, enquanto o professor e pianista \u00c1lvaro Siviero tocava deslumbrantemente, eu, extasiada com aquela grandiosidade e primor expressos em notas musicais, refletia sobre como a ARTE tem o poder de nos elevar, sobre como a BELEZA nos move e como ela \u00e9 a porta de entrada da VERDADE em nossa [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":16,"featured_media":1286,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[154,153,156,155],"class_list":["post-1272","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral","tag-arte","tag-beleza","tag-realidade","tag-verdade"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ibonitatis.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1272","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ibonitatis.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ibonitatis.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ibonitatis.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/16"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ibonitatis.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1272"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/ibonitatis.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1272\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1290,"href":"https:\/\/ibonitatis.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1272\/revisions\/1290"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ibonitatis.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/1286"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ibonitatis.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1272"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ibonitatis.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1272"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ibonitatis.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1272"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}