{"id":1487,"date":"2025-10-03T23:23:18","date_gmt":"2025-10-04T02:23:18","guid":{"rendered":"https:\/\/ibonitatis.com.br\/?p=1487"},"modified":"2025-10-03T23:23:20","modified_gmt":"2025-10-04T02:23:20","slug":"o-voo-que-nasce-da-dor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ibonitatis.com.br\/?p=1487","title":{"rendered":"O Voo que Nasce da Dor"},"content":{"rendered":"\n<p>Uma vez encerrada em seu casulo, a lagarta parece murchar. Encolhe-se, como se estivesse morrendo. Passa por um processo profundo e misterioso: uma destrui\u00e7\u00e3o total. \u00c9 como se toda a sua estrutura antiga precisasse ser desfeita para que algo novo e belo pudesse nascer. A metamorfose n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, assim como a convers\u00e3o. \u00c9 uma verdadeira entrega, \u00e9 a morte da larva. Assim como um convertido, a lagarta precisa entrar em solid\u00e3o, ter conhecimento do seu nada, para s\u00f3 assim ter a luz da transforma\u00e7\u00e3o e poder voar, sabendo de onde vem e para onde vai.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEla deixa [a casula] e voa. O res\u00edduo dela fica no ch\u00e3o e ela sobe.\u201d &#8211; Dr. Plinio Corr\u00eaa de Oliveira<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA borboleta, mesmo fraca, luta com todo o seu corpo, empurrando seus olhos contra as paredes do casulo, sua capa c\u00f3rnea transparente, dura e dividida em facetas.\u201d E, de forma misteriosa, ela faz uso de seus olhos para sua liberta\u00e7\u00e3o, pressionando, arranhando, batendo. Tudo nela trabalha para alcan\u00e7ar a luz. Ela n\u00e3o estudou, n\u00e3o planejou, mas segue um instinto inscrito em sua natureza pelo pr\u00f3prio Deus, como os dez mandamentos impressos em nossa alma.<\/p>\n\n\n\n<p>O casulo est\u00e1 r\u00edgido, endurecido. A borboleta l\u00e1 dentro \u00e9 fr\u00e1gil, rec\u00e9m-formada, ainda sem for\u00e7a plena. Como a luta de um rec\u00e9m convertido contra o mundo e contra sua carne. Parece imposs\u00edvel sair daquela pris\u00e3o. Depois de tanto esfor\u00e7o, de tanta dor, ela corre o risco de sufocar a poucos instantes de sua liberdade. Mas ela consegue \u2014 sim, ela sai \u2014 porque todo ser vivo recebe de Deus os recursos necess\u00e1rios para enfrentar os momentos mais dif\u00edceis da vida.<\/p>\n\n\n\n<p>E assim como Deus deu \u00e0 borboleta essa for\u00e7a de transforma\u00e7\u00e3o fazendo uso de seus olhos, quem dir\u00e1 o que concedeu a n\u00f3s, seus amados filhos? N\u00e3o apenas os olhos f\u00edsicos, mas os olhos da alma: olhos que nos permitem enxergar o que est\u00e1 errado em nossa vida, perceber o que precisa ser transformado e vislumbrar a beleza da gra\u00e7a que nos espera. Toda verdadeira convers\u00e3o come\u00e7a por um ver permitido pela gra\u00e7a: ver-se a si mesmo, ver a pr\u00f3pria mis\u00e9ria, ver a verdade da gra\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA pessoa aceita a f\u00e9 como quem aceita o ar nos pulm\u00f5es, sem pedir provas, sem discutir nada.\u201d &#8211; Dr Pl\u00ednio Corr\u00eaa de Oliveira.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 por isso que, em Sua infinita pedagogia, Deus se utiliza, tantas vezes, dos serm\u00f5es de um retiro, da Palavra proclamada, de uma homilia silenciosa ou de uma inspira\u00e7\u00e3o sutil para abrir nossos olhos interiores. S\u00e3o momentos em que algo em n\u00f3s se rompe, e compreendemos que j\u00e1 n\u00e3o podemos permanecer como estamos. A alma \u00e9 chamada a se mover, a sair do casulo da velha exist\u00eancia.<br><br>Mas sair do casulo exige esfor\u00e7o. \u00c9 preciso coragem para suportar a dor da destrui\u00e7\u00e3o do \u201ceu\u201d antigo, das paix\u00f5es desordenadas e das falsas alegrias que nos mant\u00eam presos ao ch\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 uma mudan\u00e7a superficial \u2014 \u00e9 uma morte para si mesmo, n\u00e3o podemos ter mais nada de larva, nada poder\u00e1 ser aproveitado. S\u00f3 ent\u00e3o pode vir o voo.<br><br>N\u00e3o fomos feitos para rastejar como vermes, mas para voarmos como borboletas apreciando as cria\u00e7\u00f5es de Deus:<br><br>\u201c Uma borboleta esvoa\u00e7ando em torno de uma flor\u201d\u2026 Dr Plinio Corr\u00eaa de Olivera.<br><br>Por isto, pe\u00e7amos sempre, que a Augusta M\u00e3e de Deus, medianeira das gra\u00e7as e ref\u00fagio dos pecadores, nos assista com seu olhar compassivo passarmos da antiga para a nova vida. Que Ela, que intercedeu com ternura e poder pelas convers\u00f5es mais sublimes da hist\u00f3ria da Igreja \u2014 como a de Santo Agostinho, outrora escravo das paix\u00f5es; a de Santa Maria Eg\u00edpcia, que trocou a vida dissoluta pela mais austera penit\u00eancia; a de Santa Maria Madalena, transformada em ardente amante do Senhor; e a de S\u00e3o Pedro, que entre l\u00e1grimas retomou a fidelidade ap\u00f3s a nega\u00e7\u00e3o; S\u00e3o Paulo, de perseguidor a ap\u00f3stolo e tantos outros \u2014, se digne tamb\u00e9m olhar por n\u00f3s. Que nos conceda a gra\u00e7a de nos permitir enxergar, o que em n\u00f3s carece de mudan\u00e7a, e nos inspire a coragem necess\u00e1ria para abandonarmos tudo quanto n\u00e3o agrada ao Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de seu Filho. E assim, despojados do homem velho, auxiliados por sua intercess\u00e3o materna, possamos al\u00e7ar voo rumo \u00e0s alturas da santidade, deixando no ch\u00e3o a rastejante exist\u00eancia das paix\u00f5es desordenadas.<br><br>Bibliografias:<br>O livro de ci\u00eancias do Tio Paulo &#8211; Jean Henri Fabre<br>O Batismo, \u201clumen\u201d da vida &#8211; Dr Plinio Correa de Oliveira<br>Tratado pr\u00e1tico dos V\u00edcios e das virtudes &#8211;\u00a0Beata\u00a0Conchita<\/p>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-code\"><code><\/code><\/pre>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma vez encerrada em seu casulo, a lagarta parece murchar. Encolhe-se, como se estivesse morrendo. Passa por um processo profundo e misterioso: uma destrui\u00e7\u00e3o total. \u00c9 como se toda a sua estrutura antiga precisasse ser desfeita para que algo novo e belo pudesse nascer. 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