{"id":1555,"date":"2025-10-10T22:18:44","date_gmt":"2025-10-11T01:18:44","guid":{"rendered":"https:\/\/ibonitatis.com.br\/?p=1555"},"modified":"2025-10-10T22:25:24","modified_gmt":"2025-10-11T01:25:24","slug":"o-medo-de-educar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ibonitatis.com.br\/?p=1555","title":{"rendered":"O medo de educar"},"content":{"rendered":"\n<p>\u201cMeu filho, n\u00e3o desprezes a educa\u00e7\u00e3o do Senhor, n\u00e3o te desanimes quando ele te repreende; pois o Senhor corrige a quem ele ama e castiga a quem aceita como filho.&#8221; (Hb 12,5-6)<\/p>\n\n\n\n<p>Diariamente, em meu of\u00edcio de professora, noto in\u00fameras m\u00e3es confusas. Infelizmente, a frase \u201cEu n\u00e3o sei mais o que fazer\u201d tornou-se o hino da desesperan\u00e7a materna.<br>Percebo que, embora saibam o que deveriam fazer, temem sua nobre miss\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<p>A miss\u00e3o de educar.<\/p>\n\n\n\n<p>Quantas vezes percebemos que bons pais, ao corrigirem seus filhos, s\u00e3o julgados por parentes, amigos e toda uma sociedade revolucion\u00e1ria? Eles temem causar traumas apenas por exigirem camas arrumadas, ora\u00e7\u00f5es feitas e li\u00e7\u00f5es de casa bem executadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em reuni\u00f5es escolares, \u00e9 comum ouvir o testemunho de m\u00e3es receosas de serem vistas como verdadeiras \u201cditadoras\u201d por simplesmente dizerem: \u201cFa\u00e7a isso, pois \u00e9 o certo\u201d ou \u201cN\u00e3o fa\u00e7a isso, pois \u00e9 errado.\u201d Afinal, tais atitudes poderiam gerar tristeza ou sobrecarga? Talvez uma futura depress\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p>Dialogar excessivamente, tentando explicar os porqu\u00eas de tudo a crian\u00e7as que nem sequer atingiram a idade da raz\u00e3o, tornou-se a miss\u00e3o de muitos pais \u2014 e, evidentemente, ela fracassa.<\/p>\n\n\n\n<p>Em parquinhos, uma m\u00e3e prefere retirar, o mais r\u00e1pido poss\u00edvel, seu filho do local a lidar com as birras que surgem de uma necess\u00e1ria interven\u00e7\u00e3o \u2014 corre\u00e7\u00f5es que, algumas vezes, podem ser seguidas por pequenos \u201cesc\u00e2ndalos infantis\u201d. Essa m\u00e3e sabe que poderia ser julgada pelo Tribunal Social \u2014 afinal, ela cometeu o \u201ccrime\u201d de educar.<\/p>\n\n\n\n<p>Elas sentem medo. Medo de agirem como m\u00e3es.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa realidade me remete ao ensinamento de S\u00e3o Tom\u00e1s de Aquino, que afirma que esse sentimento \u00e9 uma paix\u00e3o da alma \u2014 um movimento do apetite sens\u00edvel diante de um mal futuro e dif\u00edcil de evitar. Ele reconhece que, quando bem ordenado, esse temor possui uma fun\u00e7\u00e3o protetiva. O problema surge quando ele domina a vontade ou impede a realiza\u00e7\u00e3o do bem, neste caso, &#8220;o bem&#8221; de educar.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o Tom\u00e1s elenca diversos efeitos f\u00edsicos e psicol\u00f3gicos provocados por essa ang\u00fastia \u2014 muitos dos quais se manifestam com frequ\u00eancia entre as m\u00e3es de hoje: sensa\u00e7\u00e3o de cora\u00e7\u00e3o comprimido, vergonha ou embara\u00e7o, diminui\u00e7\u00e3o das for\u00e7as do corpo, dificuldade para respirar, obscurecimento da mente, pensamentos desordenados, conturba\u00e7\u00e3o, agita\u00e7\u00e3o, p\u00e2nico, entre outros.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje vemos m\u00e3es apreensivas diante de um futuro que ainda nem chegou, mas que j\u00e1 as paralisa e as adoece.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora essa inquieta\u00e7\u00e3o assuste, \u00e9 importante lembrar que a maternidade \u00e9 uma voca\u00e7\u00e3o profunda e natural, enraizada na ess\u00eancia do ser feminino. Nesse sentido, Edith Stein nos ajuda a compreender a atitude da mulher como um cuidado integral, que abarca o ser pessoal e vivente, contemplando o todo.<\/p>\n\n\n\n<p>Cabe tamb\u00e9m \u00e0 mulher a fun\u00e7\u00e3o natural de assistente e educadora de seus pr\u00f3prios filhos. O princ\u00edpio formador \u00edntimo da alma feminina \u00e9 o amor \u2014 um amor que brota do Cora\u00e7\u00e3o Divino, nutrido por uma vida eucar\u00edstica e lit\u00fargica, e n\u00e3o por fatores externos.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas afinal, o que as m\u00e3es podem fazer?<\/p>\n\n\n\n<p>G. K. Chesterton afirma que \u201cos homens inventaram novos ideais porque n\u00e3o se atrevem a buscar os antigos. Olham com entusiasmo para a frente porque t\u00eam medo de olhar para tr\u00e1s.\u201d Essa reflex\u00e3o nos convida a valorizar as tradi\u00e7\u00f5es e os exemplos do passado, especialmente quando pensamos na educa\u00e7\u00e3o maternal, que tantas vezes encontrou em modelos antigos inspira\u00e7\u00e3o e firmeza.<\/p>\n\n\n\n<p>Na biografia &#8220;Dona Lucilia&#8221;, Monsenhor Jo\u00e3o Scognamiglio Cl\u00e1 Dias destaca o cuidado rigoroso desta senhora em evitar brinquedos vulgares ou que incentivassem uma mentalidade laica, preferindo os que estimulassem o belo e a forma\u00e7\u00e3o intelectual. Ela era firme no cumprimento do dever e na rejei\u00e7\u00e3o ao mal, mantendo a disciplina com suavidade. Estabelecia hor\u00e1rios r\u00edgidos para ora\u00e7\u00f5es e rotinas di\u00e1rias, preparando os filhos para enfrentar desafios da vida. Admirando a disciplina alem\u00e3, contratou a governanta Fr\u00e4ulein Mathilde para ajudar na educa\u00e7\u00e3o dos filhos. Dr. Plinio, seu filho, lembrava com carinho at\u00e9 os \u201cpitos\u201d da m\u00e3e.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 Mamma Margarida, m\u00e3e de S\u00e3o Jo\u00e3o Bosco, dizia que todo seu cuidado e desejo era instruir os filhos na religi\u00e3o, encaminh\u00e1-los \u00e0 obedi\u00eancia e ocup\u00e1-los, entretendo-os com coisas pr\u00f3prias da sua idade. Vigiava continuamente os costumes dos filhos. Sua vigil\u00e2ncia, por\u00e9m, n\u00e3o era desconfiada, suspeitosa ou recriminadora, mas \u2014 como ordena o Senhor \u2014 cont\u00ednua, prudente e amorosa.<\/p>\n\n\n\n<p>Tais senhoras sentiam inseguran\u00e7a em suas decis\u00f5es diante da educa\u00e7\u00e3o dos filhos? Ouso afirmar que, se temiam algo, era colocar em d\u00favida a salva\u00e7\u00e3o deles.<br>Para finalizar esta breve reflex\u00e3o, cito uma frase do Papa Pio XII:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu tenho medo do cansa\u00e7o dos bons.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Que Nossa Senhora, a mais perfeita das M\u00e3es, conduza todas as demais a n\u00e3o sentirem medo de educar seus filhos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cMeu filho, n\u00e3o desprezes a educa\u00e7\u00e3o do Senhor, n\u00e3o te desanimes quando ele te repreende; pois o Senhor corrige a quem ele ama e castiga a quem aceita como filho.&#8221; (Hb 12,5-6) Diariamente, em meu of\u00edcio de professora, noto in\u00fameras m\u00e3es confusas. 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