{"id":372,"date":"2024-02-10T00:00:45","date_gmt":"2024-02-10T03:00:45","guid":{"rendered":"http:\/\/ibonitatis.local\/?p=372"},"modified":"2024-06-28T10:01:55","modified_gmt":"2024-06-28T13:01:55","slug":"obedecer-para-ser-livre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ibonitatis.com.br\/?p=372","title":{"rendered":"Obedecer para ser livre"},"content":{"rendered":"\n<p>Vivemos em uma sociedade em que cada vez mais o conceito de liberdade \u2013 e tamb\u00e9m o de felicidade \u2013 se funda na instabilidade: \u201cSou feliz porque sou livre, essa liberdade d\u00e1 o direito de fazer o que eu quero\u201d. Esse pensamento de fundo, que permeia quase tudo, tamb\u00e9m est\u00e1 presente no conceito de fam\u00edlia, onde essa id\u00e9ia \u00e9 cada vez mais \u201cvivida\u201d na pr\u00e1tica. Nada de&nbsp;<strong>fam\u00edlia est\u00e1vel, fecunda, monog\u00e2mica e indissol\u00favel<\/strong>, concebida segundo os moldes crist\u00e3os, mas sim o \u201cjuntar\u201d ou \u201cficar\u201d, a&nbsp;<strong>uni\u00e3o inst\u00e1vel<\/strong>, que poder\u00edamos chamar de \u201cfam\u00edlia experimental\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp; Ora, isso vem acontecendo com cada vez mais freq\u00fc\u00eancia, em raz\u00e3o desse novo e sempre antigo conceito equivocado de liberdade, subsumido na c\u00e9lebre frase dos estudantes parisienses de SORBONE:&nbsp;<strong>\u201c<em>\u00c9 proibido proibir\u201d.<\/em><\/strong><em>&nbsp;<\/em>No entanto, outro lema deveria servir de par\u00e2metro ao homem moderno desejoso de obter a verdadeira liberdade:&nbsp;<strong><em>\u201cObedecer para ser livre\u201d<\/em><\/strong>. Ser\u00e1 este o tema deste artigo, ressaltado em ep\u00edgrafe.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp; Segundo os ensinamentos pontif\u00edcios (cf. LE\u00c3O XIII, Carta Enc\u00edclica Libertas Prastantissimum, 1888) liberdade \u00e9 a faculdade consciente do homem de fazer ou deixar de fazer alguma coisa, por sua livre e espont\u00e2nea vontade; a possibilidade de decidir livremente o que pensar, falar e agir. O homem n\u00e3o perde a liberdade de pensar: \u00e9 imposs\u00edvel impedir que algu\u00e9m pense. S\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel limitar a liberdade de express\u00e3o do pensamento.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp; Na esteira desses pressupostos, conceitos de liberdade foram proclamados. Por exemplo, ser livre seria para alguns n\u00e3o sofrer coa\u00e7\u00e3o f\u00edsica ou moral externa, a completa autonomia de um sujeito racional. Segundo esse conceito homem livre seria aquele que faz o que a vontade quer e que pode satisfazer seus desejos sem limita\u00e7\u00f5es nem obriga\u00e7\u00f5es. No caso do moderno conceito de fam\u00edlia, o \u201cficar\u201d ou o \u201cjuntar\u201d seriam uma forma de fam\u00edlia libert\u00e1ria, porque as vontades dos que se ligam s\u00e3o soberanas para desfazer num momento o que em outro fizeram.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp; N\u00e3o obstante, todo homem \u00e9 sujeito a limita\u00e7\u00f5es, porque as regras sociais e a pr\u00f3pria lei natural imp\u00f5e limites e obriga\u00e7\u00f5es. Estaria comprometida a liberdade, a faculdade de fazer o que se quer?<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp; Segundo o Papa Le\u00e3o XIII, a vontade humana est\u00e1 sempre inclinada a querer o bem geral, a sua felicidade. Como encontrar esse bem, se possibilidades de escolha sobre o que nos conv\u00e9m s\u00e3o quase infinitas? A solu\u00e7\u00e3o apontada pelo Sumo Pont\u00edfice est\u00e1 em que o anseio de liberdade n\u00e3o existe como um bem em si mesmo, mas como um meio para se atingir um bem maior e, entre a liberdade e o amor, deve sempre prevalecer este \u00faltimo bem.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp; Para melhor compreens\u00e3o, podemos citar o exemplo do estudante que limita o seu tempo livre em que poderia, por exemplo, se divertir, para se dedicar ao objeto final do seu estudo, ou seja, concluir com \u00eaxito o seu mestrado ou doutorado; ou a m\u00e3e que sacrifica o seu repouso, por amor ao seu filho pequeno, quando lhe dispensa os necess\u00e1rios cuidados noturnos; ou ainda aquele que regula a sua liberdade e o prazer de comer bem, porque pretende perder peso.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp; Conforme Le\u00e3o XIII, o anseio de liberdade que recusa o sacrif\u00edcio, tamb\u00e9m teria seu fundamento no amor: amor de si mesmo, amor ego\u00edsta que escraviza o homem a ele pr\u00f3prio e tiraniza o outro, na medida em que quer impor sempre a pr\u00f3pria vontade, numa \u201cliberdade\u201d sem par\u00e2metros, sem limita\u00e7\u00f5es nem obriga\u00e7\u00f5es.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp; O amor ao bem disciplina a liberdade na busca daquilo que se deseja. Por exemplo, o aprendiz submete sua vontade livre \u00e0 vontade do Mestre, porque deseja o bem maior que s\u00f3 por esse modo alcan\u00e7ar\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp; O modelo de \u201cfam\u00edlia experimental\u201d do \u201cjuntar\u201d ou do \u201cficar\u201d, assim como tantos outros modelos modernos, tributa a uma falsa liberdade o caminho da felicidade, por\u00e9m, cada um ao escolher a si pr\u00f3prio como objeto \u00fanico do seu amor, acaba tornando a vontade prisioneira dos pr\u00f3prios desejos e opressora em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 liberdade do outro.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp; Se n\u00f3s queremos a verdadeira liberdade, n\u00e3o podemos aderir a esses modelos \u2018libert\u00e1rios\u2019 da sociedade moderna, pensando em fam\u00edlia como uma justaposi\u00e7\u00e3o de interesses ego\u00edsticos que duram enquanto conv\u00e9m. Isso n\u00e3o passa de uma forma velada de escravid\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp; A doutrina crist\u00e3 nos ensina a obedecer para ser livres. Neste sentido, concebe a fam\u00edlia como um organismo s\u00f3lido, fecundo, perene e indissol\u00favel, aben\u00e7oado por Deus e dirigido ao seu fim sobrenatural, que \u00e9 gerar filhos para a Santa Igreja e dar exemplo de santidade para os homens. Por estes meios, sem d\u00favida ser\u00e3o necess\u00e1rios sacrif\u00edcios e ren\u00fancias, mas que valem a pena em raz\u00e3o do fim supremamente maior a ser atingido, o reino de Deus e sua justi\u00e7a nesta Terra, e a bem-aventuran\u00e7a na eternidade!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vivemos em uma sociedade em que cada vez mais o conceito de liberdade \u2013 e tamb\u00e9m o de felicidade \u2013 se funda na instabilidade: \u201cSou feliz porque sou livre, essa liberdade d\u00e1 o direito de fazer o que eu quero\u201d. 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