{"id":770,"date":"2024-08-24T09:18:05","date_gmt":"2024-08-24T12:18:05","guid":{"rendered":"https:\/\/ibonitatis.com.br\/?p=770"},"modified":"2024-08-24T09:18:06","modified_gmt":"2024-08-24T12:18:06","slug":"vivencias-e-valores-a-realidade-das-familias-numerosas-e-a-influencia-das-redes-sociais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ibonitatis.com.br\/?p=770","title":{"rendered":"Viv\u00eancias e Valores: A Realidade das Fam\u00edlias Numerosas e a Influ\u00eancia das Redes Sociais"},"content":{"rendered":"\n<p>Aos 14 anos de idade, convivi com alguns casais que eram no m\u00e1ximo 5 anos mais velhos. Tal experi\u00eancia foi enriquecedora para que eu pudesse vivenciar a realidade e a abertura \u00e0 vida na minha fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p>Est\u00e1vamos na virada do mil\u00eanio. Na escola p\u00fablica perif\u00e9rica da grande S\u00e3o Paulo, as garotas mais populares falavam de signos, Backstreet Boys, Spice Girls e aqueles meninos a\u00e7ucarados: os Hansons. Os meninos estavam preocupados com a classifica\u00e7\u00e3o do campeonato brasileiro e a elei\u00e7\u00e3o para o gr\u00eamio escolar.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste contexto, em uma pequena par\u00f3quia de bairro, abria-se o convite para receber estes jovens nas catequeses de crisma de uma forma que qualquer marqueteiro hoje ficaria de boca aberta: o bom e velho boca a boca. Houve divulga\u00e7\u00e3o no estilo catequ\u00e9tico milenar, os mais velhos (do Ensino M\u00e9dio) iam em todas as salas convidar os mais novos para a tal catequese de jovens.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, nos anos seguintes, conheci as primeiras fam\u00edlias abertas \u00e0 vida. Uma das primeiras foi um casal jovem que, por amizade, pude conviver e presenciar situa\u00e7\u00f5es que poderiam justificar um certo espa\u00e7amento desses filhos, mas n\u00e3o! Foram generosos e receberam ano ap\u00f3s ano seus primeiros seis filhos. O meu imagin\u00e1rio, j\u00e1 consumido pelo feminismo, n\u00e3o entendia o que eles faziam, apesar de termos quase a mesma idade\u2026 Outras fam\u00edlias se formavam ao meu redor e seguiam o mesmo padr\u00e3o: ter filhos todos os anos.<\/p>\n\n\n\n<p>No trabalho, em que a realidade da maioria das pessoas era diferente, come\u00e7aram os coment\u00e1rios sobre esse estilo de vida e aos poucos, comecei a entender o que significava, na pr\u00e1tica, as homilias do padre sobre a cultura do bem-estar. As noites e fins de semana que eu passava com esses amigos eram divertidos, com beb\u00eas e a casa cheirando a sabonete infantil. Assist\u00edamos aos filmes em cartaz no cinema (adquiridos naquelas bancas em frente aos bancos ao som de 3 por 10), com pizzas, refrigerantes e churrascos. N\u00e3o \u00e9ramos mais uma fam\u00edlia com muitas crian\u00e7as, j\u00e1 est\u00e1vamos em 4, 5 fam\u00edlias com muitas crian\u00e7as pequenas.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 tarde da noite, crian\u00e7as esparramadas pelos sof\u00e1s e colch\u00f5es eram jogados na sala, n\u00e3o est\u00e1vamos preocupados naquele momento com horas de sono necess\u00e1rias para o desenvolvimento infantil. Os adultos conversavam alto e riam, trazendo \u00e0 tona as experi\u00eancias mais s\u00e9rias e dolorosas dos coment\u00e1rios dos colegas de trabalho, as piadas na fam\u00edlia, o dever da mulher parar de trabalhar para cuidar das crian\u00e7as pequenas, que j\u00e1 assombrava algumas m\u00e3es (as que pararam animando-as sem esconder as dificuldades), as dificuldades no casamento, na casa que estava pequena, no or\u00e7amento que todo m\u00eas ficava no negativo, e com o sorriso de esperan\u00e7a para o ano seguinte, pois sairiam do aluguel e estariam em fase de constru\u00e7\u00e3o da casa pr\u00f3pria (at\u00e9 hoje me pergunto se essa esperan\u00e7a era ironia, pois todos sabem que construir d\u00e1 mais despesa). Enfim, havia ali uma lista de problemas, mas todos est\u00e1vamos reunidos com o esp\u00edrito festivo de quem vive com dificuldade, mas com a alegria de quem faz a vontade de Deus.<\/p>\n\n\n\n<p>Os anos se passaram e fomos inseridos nas realidades das redes sociais. Com elas, surgiram influencers de todos os tipos, inclusive de fam\u00edlias numerosas. No come\u00e7o, vi com grande admira\u00e7\u00e3o. Havia fam\u00edlias grandes em todo o Brasil e em diversas realidades da Igreja Cat\u00f3lica e, com elas, acompanhei uma realidade que vou denominar feminilidade instagramica, em que havia um c\u00f3digo de conduta no vestir, em como educar os filhos, ser esposa, n\u00e3o trabalhar fora de casa e qual tipo de missa deveria ser frequentada. Tudo era externo, a feminilidade foi reduzida a um estilo de roupa, uma entona\u00e7\u00e3o na voz, sobre uma quantidade de filhos que deveria ter para ser uma verdadeira fam\u00edlia cat\u00f3lica. Aos poucos, a realidade parecia uma caricatura com pinceladas de influ\u00eancias de Judith Butler no meio cat\u00f3lico, que justificavam que a feminilidade \u00e9 um ato exterior, algo artificial e, em muitos casos, f\u00fatil.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando penso neste assunto, me vem \u00e0 lembran\u00e7a uma hist\u00f3ria que contei recentemente \u00e0s crian\u00e7as sobre S\u00e3o Cipriano e Santa Justina. Antes de se converter, Cipriano era um grande feiticeiro, governava dem\u00f4nios e tinha uma amizade \u00edntima com Satan\u00e1s. Eis que um jovem foi ao seu encontro para que ele o ajudasse a lhe \u201ctrazer a amada em sete dias\u201d. A amada em quest\u00e3o era uma mo\u00e7a cat\u00f3lica que fez voto de castidade e, por isso, n\u00e3o aceitou o pedido de casamento do rapaz. Cipriano achou a tarefa f\u00e1cil e enviou alguns dem\u00f4nios para persuadir Justina, o que obviamente foi em v\u00e3o. Ent\u00e3o, no auge de sua c\u00f3lera, chamou o pr\u00edncipe das trevas, que tomou a forma de uma mulher muito piedosa. Quando encontrou Santa Justina, iniciou uma conversa sobre o casamento, fazendo um serm\u00e3o sobre como era importante as pessoas se casarem para a multiplica\u00e7\u00e3o da humanidade, utilizando refer\u00eancias b\u00edblicas e dando exemplos de muitos santos que tamb\u00e9m foram casados. A jovem, percebendo que se tratava de um dem\u00f4nio que estava tentando faz\u00ea-la descumprir a promessa que fizera a Nosso Senhor, aplicou-lhe um sinal da Cruz, fazendo-o fugir.<\/p>\n\n\n\n<p>Como todos n\u00f3s estamos sendo enganados debaixo do pr\u00f3prio nariz, desprezando a pr\u00f3pria realidade, instituindo muitas vezes ideias e cren\u00e7as inexistentes disfar\u00e7adas de doutrinas e consensos. Em meio ao caos do excesso de informa\u00e7\u00e3o, de tantas pessoas tentando nos ensinar receitas de como educar, como catequizar, como falar, como amar, fiquemos com o olhar fixo em Cristo, que nos envia o que \u00e9 necess\u00e1rio!<\/p>\n\n\n\n<p>Fixemos os nossos cora\u00e7\u00f5es no Cora\u00e7\u00e3o Daquele que verdadeiramente nos Ama e possamos olhar para a nossa realidade com simplicidade e alegria.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As experi\u00eancias vividas em nossa juventude podem moldar nossa vis\u00e3o de mundo e nossos valores. Ao observar fam\u00edlias numerosas e participar de suas din\u00e2micas, foi poss\u00edvel entender a complexidade e a beleza de viver em comunidade, com suas alegrias e desafios. Em contraste, a era das redes sociais trouxe uma representa\u00e7\u00e3o, muitas vezes, superficial e idealizada da feminilidade e da vida familiar. A hist\u00f3ria de S\u00e3o Cipriano e Santa Justina refor\u00e7a a import\u00e2ncia do discernimento e da fidelidade aos nossos princ\u00edpios diante das influ\u00eancias externas. No final, a mensagem central \u00e9 a valoriza\u00e7\u00e3o da simplicidade, da autenticidade e da f\u00e9, mantendo o cora\u00e7\u00e3o fixo em Cristo, que nos guia e prov\u00ea o necess\u00e1rio para uma vida plena e verdadeira.<\/p>\n","protected":false},"author":11,"featured_media":771,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[64,68,69,65,66],"class_list":["post-770","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral","tag-familia-numerosa","tag-fe","tag-feminilidade","tag-redes-sociais","tag-vivencias"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ibonitatis.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/770","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ibonitatis.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ibonitatis.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ibonitatis.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/11"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ibonitatis.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=770"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ibonitatis.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/770\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":772,"href":"https:\/\/ibonitatis.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/770\/revisions\/772"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ibonitatis.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/771"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ibonitatis.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=770"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ibonitatis.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=770"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ibonitatis.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=770"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}