Paz sobre a terra, justiça e caridade!

FILHOS PRECISAM DA DOR QUE ENSINA

Iniciaremos esta reflexão, não isenta de espinhos, com a célebre frase de Santo Ambrósio: “Os sofrimentos são o tesouro mais precioso que Deus pode dar a uma alma. Sem a cruz não há santidade. ”

Vivemos em uma época marcada por uma pedagogia excessivamente branda, que busca resolver tudo pelo diálogo, já que não se pode corrigir com firmeza; uma geração que opta por dormir ao lado dos filhos porque ensiná-los a repousar sozinhos lhes provoca lágrimas; que oferece tablet, celular ou televisão para que a criança se mantenha quieta; que entrega doces fora de hora para evitar contrariedades; que cede às birras para não enfrentar constrangimentos; que veste a criança com o que ela exige, sob pena de novos choros e escândalos. Trata-se de uma geração que, silenciosamente, permite que a criança trace o próprio destino, temerosa de frustrá-la em qualquer medida.

Por que, afinal, tanto receio de permitir que a criança chore, sofra ou se decepcione?

Esconde-se aí o pavor de reviver, nos filhos, as próprias frustrações. Pais incapazes de lidar com seus sofrimentos e decepções acabam por formar filhos que, sob hipótese alguma, podem sofrer. Afinal, a dor assusta, fere; e aquilo que evitamos para nós mesmos, instintivamente tentamos afastar dos que amamos. Mas será prudente evitar o sofrimento a qualquer custo?

Tais crianças refletem uma geração de pais que preferem suportar necessidades a trabalhar mais de oito horas, pois alegam necessitar de descanso e divertimento; pais que não conseguem dedicar tempo aos filhos porque se perdem no celular; pais que não suportam o ônibus lotado ou o trânsito para levar o filho a uma atividade formativa que o afaste das telas; pais que escolhem a cesariana por pavor da dor do parto normal; pais que nunca preparam um pão já que podem comprar pronto, que oferecem um doce ao invés de cortar uma fruta; que recorrem a algo rápido e pobre em nutrientes para não terem o trabalho de cozinhar uma refeição saudável; pais que não toleram lavar roupas sem máquina, varrer sem aspirador, lavar louça manualmente. São pais, enfim, que não desejam sofrer.

Pais não podem temer o sofrimento, nem as dificuldades inerentes à vida; somente assim não terão medo de permitir que o filho espere o almoço que atrasou, chore ao aprender a dormir sozinho ou use uma roupa incômoda porque é a única disponível naquele momento. Se a criança não aprender que o sofrimento compõe a trama ordinária da existência, crescerá um adulto mimado, incapaz de suportar as adversidades da vida, vivendo em constante queixa, como se fosse vítima de sua própria história. Quem rejeita o sofrimento, rejeita também seu próprio crescimento.

Concluímos com o ensinamento luminoso de São João da Cruz: “O amor só cresce na medida em que se aceita o sofrimento.” Se verdadeiramente amamos nossos filhos, devemos permitir-lhes experimentar a dor que educa, fortalece e amadurece. Eis o modo mais profundo de educá-los no amor.


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Respostas de 4

  1. PERFEITO . Ensinamento que vale para todos nós independentemente de sermos pais ou não. Aprendermos a não temer o sofrimento e procurar caminhar com Deus sempre!! Amém.

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