Qualquer meditação que tenha a seu favor as metáforas expande a capacidade didática de entendimento daquilo que queremos explicitar. Para assim proceder convido ao caro leitor lembrar-se dos pomares e quintais, com variadas árvores frutíferas, com o qual teve contato desde sua infância.
A vida vegetal precisa seguir um curso e processo natural para, assim, cumprir sua missão que é: dar frutos. A árvore, quando ainda é uma semente, precisa de um semeador, da terra, da água, da luz solar, entre outros. Essas são condições consideradas necessárias para a vida e o cultivo dessa semente. Ah! E o tempo? Esse é difícil de considerar, pois imaginemos se esse broto pudesse ser ansioso? Como seriam as esperas dessa futura plantinha que deseja alcançar o seu fim: ser madura e adulta, com seus belos e doces frutos, ou quiçá com seus azedumes e amargores, mas que não deixasse de cumprir aquilo que fora chamada a ser quando foi criada. Já entenderam o papel dessa metáfora? Vamos explicar melhor.
Na Parábola da Videira em João 15: 1-11, Nosso Senhor Jesus Cristo usa um termo forte “Toda árvore que em Mim não dá frutos, ele a corta.” Essa poda é uma limpeza importante para fortalecer a planta e fazê-la dar ainda mais frutos. Nós não temos alma vegetal, mas participamos de algo similar em nossa alma imortal, onde habita a vida divina e a vida da graça que nos rega como orvalhos de Deus, que sob o auxílio dos anjos, preparam o nosso coração, as nossas ações e intenções. No termo “estar em Mim”, isso significa que a seiva passa da videira para seus galhos e a videira verdadeira é Deus. Essa união só se intensifica através das “cruzes” de cada dia. As dores, os sofrimentos e as lutas que se arrastam em cada hora, mês ou ano da vida de um homem, nesse paulatino processo rumo ao céu. Foi nessa via dolorosa que Cristo venceu a morte e tornou essa cruz um sinal de Sua glória. As podas doem, mas é preciso ter uma fé inabalável da vitória!
A vida do homem que não cumpriu aquilo para o qual foi chamado é como a semente que caiu na terra, não deu frutos e foi cortada.
Quando um novo ano se aproxima, ele nos convida a pedir, com humildade, que não nos falte as condições essenciais para o nosso crescimento e amadurecimento, e que os duros cortes possibilitem crescer os frutos de esperança.
Uma esperança que, fortalecida na fé, gera a confiança… virtude essa que supera um mero desejo, mas ela é a certeza de que Nosso Senhor cumprirá em nós as Suas promessas.

