“Meu filho, não desprezes a educação do Senhor, não te desanimes quando ele te repreende; pois o Senhor corrige a quem ele ama e castiga a quem aceita como filho.” (Hb 12,5-6)
Diariamente, em meu ofício de professora, noto inúmeras mães confusas. Infelizmente, a frase “Eu não sei mais o que fazer” tornou-se o hino da desesperança materna.
Percebo que, embora saibam o que deveriam fazer, temem sua nobre missão:
A missão de educar.
Quantas vezes percebemos que bons pais, ao corrigirem seus filhos, são julgados por parentes, amigos e toda uma sociedade revolucionária? Eles temem causar traumas apenas por exigirem camas arrumadas, orações feitas e lições de casa bem executadas.
Em reuniões escolares, é comum ouvir o testemunho de mães receosas de serem vistas como verdadeiras “ditadoras” por simplesmente dizerem: “Faça isso, pois é o certo” ou “Não faça isso, pois é errado.” Afinal, tais atitudes poderiam gerar tristeza ou sobrecarga? Talvez uma futura depressão?
Dialogar excessivamente, tentando explicar os porquês de tudo a crianças que nem sequer atingiram a idade da razão, tornou-se a missão de muitos pais — e, evidentemente, ela fracassa.
Em parquinhos, uma mãe prefere retirar, o mais rápido possível, seu filho do local a lidar com as birras que surgem de uma necessária intervenção — correções que, algumas vezes, podem ser seguidas por pequenos “escândalos infantis”. Essa mãe sabe que poderia ser julgada pelo Tribunal Social — afinal, ela cometeu o “crime” de educar.
Elas sentem medo. Medo de agirem como mães.
Essa realidade me remete ao ensinamento de São Tomás de Aquino, que afirma que esse sentimento é uma paixão da alma — um movimento do apetite sensível diante de um mal futuro e difícil de evitar. Ele reconhece que, quando bem ordenado, esse temor possui uma função protetiva. O problema surge quando ele domina a vontade ou impede a realização do bem, neste caso, “o bem” de educar.
São Tomás elenca diversos efeitos físicos e psicológicos provocados por essa angústia — muitos dos quais se manifestam com frequência entre as mães de hoje: sensação de coração comprimido, vergonha ou embaraço, diminuição das forças do corpo, dificuldade para respirar, obscurecimento da mente, pensamentos desordenados, conturbação, agitação, pânico, entre outros.
Hoje vemos mães apreensivas diante de um futuro que ainda nem chegou, mas que já as paralisa e as adoece.
Embora essa inquietação assuste, é importante lembrar que a maternidade é uma vocação profunda e natural, enraizada na essência do ser feminino. Nesse sentido, Edith Stein nos ajuda a compreender a atitude da mulher como um cuidado integral, que abarca o ser pessoal e vivente, contemplando o todo.
Cabe também à mulher a função natural de assistente e educadora de seus próprios filhos. O princípio formador íntimo da alma feminina é o amor — um amor que brota do Coração Divino, nutrido por uma vida eucarística e litúrgica, e não por fatores externos.
Mas afinal, o que as mães podem fazer?
G. K. Chesterton afirma que “os homens inventaram novos ideais porque não se atrevem a buscar os antigos. Olham com entusiasmo para a frente porque têm medo de olhar para trás.” Essa reflexão nos convida a valorizar as tradições e os exemplos do passado, especialmente quando pensamos na educação maternal, que tantas vezes encontrou em modelos antigos inspiração e firmeza.
Na biografia “Dona Lucilia”, Monsenhor João Scognamiglio Clá Dias destaca o cuidado rigoroso desta senhora em evitar brinquedos vulgares ou que incentivassem uma mentalidade laica, preferindo os que estimulassem o belo e a formação intelectual. Ela era firme no cumprimento do dever e na rejeição ao mal, mantendo a disciplina com suavidade. Estabelecia horários rígidos para orações e rotinas diárias, preparando os filhos para enfrentar desafios da vida. Admirando a disciplina alemã, contratou a governanta Fräulein Mathilde para ajudar na educação dos filhos. Dr. Plinio, seu filho, lembrava com carinho até os “pitos” da mãe.
Já Mamma Margarida, mãe de São João Bosco, dizia que todo seu cuidado e desejo era instruir os filhos na religião, encaminhá-los à obediência e ocupá-los, entretendo-os com coisas próprias da sua idade. Vigiava continuamente os costumes dos filhos. Sua vigilância, porém, não era desconfiada, suspeitosa ou recriminadora, mas — como ordena o Senhor — contínua, prudente e amorosa.
Tais senhoras sentiam insegurança em suas decisões diante da educação dos filhos? Ouso afirmar que, se temiam algo, era colocar em dúvida a salvação deles.
Para finalizar esta breve reflexão, cito uma frase do Papa Pio XII:
“Eu tenho medo do cansaço dos bons.”
Que Nossa Senhora, a mais perfeita das Mães, conduza todas as demais a não sentirem medo de educar seus filhos.


Respostas de 4
Nossa, que maravilhoso! Tema tão oportuno, necessário e abordado de forma acessível, tocante e com exemplos
bem práticos.
Amém! Que Nossa Senhora nos ajude a olharmos para trás e imitarmos as santas mães.
Que artigo inspirador! Ele nos recorda a beleza e a coragem que a missão materna exige. Que todas as mães encontrem no Céu a força e a sabedoria para educar com amor e firmeza.
Necessário e repleto de reflexões riquíssimas. Em um mundo onde inspirações para coisas desordenadas são facilmente incentivadas, ter acesso a tanta informação de qualidade e valiosas referências são da grande auxílio para mim.
As palavras convencem, os exemplos arrastam. A clareza da ideia sobre a vocação materna, avivada pelos exemplos vivos! Artigo muito bem colocado!!! Que possa produzir muitos bons frutos.